DMRI – Degeneração Macular Relacionada a Idade:

O que é: Uma doença degenerativa da retina que afeta a região central da visão (chamada Mácula), portanto altera tanto a visão de longe quanto a de perto, dificultando principalmente as atividades que exigem uma visão nítida, como ler, dirigir, assistir televisão, desenhar ...

É a principal causa de perda severa da visão em pacientes acima dos 50 anos. Como o nome diz afeta pacientes idosos, e aumenta sua incidência a medida que a idade avança. Há aproximadamente 21 milhões de idosos com DMRI avançada em todo o mundo.

Na maioria dos casos há a presença de Drusas (depósitos sub-retinianos), estas são encontradas em muitas pessoas que geralmente não desenvolvem a DMRI pois não possuem características de risco, no entanto quando elas aumentam em número ou tamanho é um sinal de risco para o desenvolvimento da doença, principalmente quando apresentam drusas moles e coalescentes associadas a alterações pigmentares na mácula.

Classificação:

  • DMRI seca: É a forma na qual encontramos basicamente alterações atróficas na mácula, como uma cicatriz.
  • DMRI exsudativa: É a forma na qual se desenvolve uma membrana neovascular (um tecido muito vascularizado que provoca hemorragias e acúmulo de líquido na região central da visão, a mácula). A evolução natural da membrana: inicialmente possui atividade com acúmulo de líquido na retina por um período até que sua atividade diminui permanecendo uma cicatriz. Nos últimos anos foram desenvolvidos alguns tratamentos para diminuir a atividade dessa membrana e consequentemente diminuir o tamanho da cicatriz final.

Tratamento:

Para a DMRI seca existem diversos estudos em andamento na tentativa de descobrir possíveis formas de prevenção/progressão da doença. Até o momento, um grande estudo científico chamado AREDS mostrou que a suplementação da dieta com determinados antioxidantes diminuiu em 25% o risco do desenvolvimento de DMRI moderada para avançada. Nos casos de DMRI inicial a diminuição do risco não foi na mesma proporção. Os antioxidantes presentes no estudo foram:

  • Vitamina C (500 mg)
  • Vitamina E (400 UI)
  • Beta Caroteno (15 mg)
  • Zinco (80 mg)
  • Óxido de Cobre (2 mg para prevenir a perda de cobre associado a suplementação de zinco)

No estudo foi observado que a suplementação desses antioxidantes não se mostrou tóxica, no entanto o beta caroteno pode aumentar o risco de câncer de pulmão naqueles que fumam ou que pararam de fumar recentemente, portanto não deve ser usado nesses casos.

Existem outros estudos mostrando os benefícios do ácido fólico, vitamina B6 e B12. Além de outros, que mostraram que a luteína e o Fish Oil (ômega 3) são também benéficos.

Quando a DMRI apresenta membrana neovascular (exsudativa) o tratamento disponível que mostrou melhores resultados foi a injeção intra-vítrea de anti-angiogênico (anti-VEGF). Existem duas drogas usadas para esse fim: o Avastin® e o Lucentis®.

O Lucentis® foi aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration) para esse uso, já o Avastin é usado off-label, ambas as drogas obtiveram resultados semelhantes, no entanto o Lucentis, ao nosso ver, é uma droga mais segura pois não necessita fracionamento/manipulação, apresentando portanto menor chance de contaminação.

A decisão entre uma droga ou outra depende de cada médico e de cada paciente, é uma decisão tomada em conjunto, médico e paciente, levando em consideração diversos aspectos.

O anti-VEGF é aplicado inicialmente em 3 injeções com intervalo de 1 mês entre elas e após a terceira injeção acompanhamos mensalmente o paciente, se ele apresentar piora do quadro programamos novas injeções.

A resposta ao tratamento é bastante variável, diversos aspectos estão envolvidos, muitas vezes não podemos prever como será o resultado, alguns respondem muito bem e outros nem tanto, há inclusive aqueles que não respondem (a minoria felizmente), mas na maioria dos casos, se instituído o tratamento logo no início do desenvolvimento da membrana a resposta costuma ser boa. Por esse motivo é muito importante o diagnóstico precoce, as visitas regulares ao oftalmologista e o acompanhamento de casos iniciais de DMRI, além de suplementação com os antioxidantes descritos, nos casos indicados.